O passarinho me contou

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Photo by John Bakator on Unsplash

Em certa aula, no meio do semestre, aconteceu algo curiosamente trivial. Ao fundo do burburinho incessante de toda a discussão, havia um pássaro. Atrás da parede. Atrás do professor. Em algum lugar. Ouvia o seu canto diário, o seu sinal de vida. Não lembro se fazia sol. O som que atravessava a alvenaria preenchia a minha mente de tal forma que a luz perdia a sua importância.

Há poucos dias, o pássaro novamente apareceu. De madrugada, ele anunciava o imprescindível romper do amanhecer. Eu, insone. Ele, desperto. O seu canto me intrigava. Já não adiantava pensar naquela noite de sono. Quando a luz chegasse, seria tarde demais. A insônia venceria. O dia não tardaria nem um segundo a mais. A vida não pararia por causa da minha recusa em dormir. Mas, ela também não desistiria de mim.

Agora há pouco, a música de fundo coloria a tarde azul. O pássaro cantava suavemente, como se soubesse que, pela primeira vez, atrás da parede, eu o reconhecia. Entendia o que seu canto me dizia. O que ele me contava naquele outro dia. Hoje é o dia do descanso. Aqui dentro vale mais do que há lá fora. Está tudo pronto. Não existe inquietude, o sustento já vem.

Todas as necessidades são supridas quando se conhece Aquele a quem busca.

“Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal”. Mateus 6.23

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