4 técnicas para experimentar, manipular e aperfeiçoar a sua produção de conteúdo

produção de conteúdo

Se você trabalha com produção de conteúdo há um bom tempo, já deve ter se sentido em modo automático. Ou, pelo menos, de que os conteúdos estão ficando um pouco repetitivos. A gente se acostuma a tantas fórmulas facilmente replicáveis da internet que, se permitirmos, podemos acabar entregando mais do mesmo sem perceber.

Precisamos lembrar que estamos escrevendo para pessoas. E que embora essa galera da internet, em muitas situações, esteja procurando soluções rápidas para os seus problemas, elas continuam sendo gente, que se conecta e se identifica.

Neste artigo, reuni quatro técnicas que aprendi em cursos nos últimos anos e que tem se provado eficazes enquanto trabalho com produção de conteúdo. Elas vêm do campo do storytelling (enquanto técnica e estrutura) e da escrita criativa, e são certeiras na hora de elevar nosso know-how enquanto redatores.

Que isto fique claro entre nós: quero que você experimente, manipule e transforme o que está escrito aqui. Uma técnica utilizada mecanicamente pode virar apenas mais uma fórmula pronta que trava a sua criatividade. Sinta-se livre para por uma pitada da sua personalidade, um maço de senso crítico, e liberdade à gosto.

1. Há uma mensagem por trás do seu texto – por mais comercial que pareça

storytelling

Vamos supor que estamos escrevendo um post promocional. Posso explicar a principal característica do produto, colocar o link de direcionamento para a loja virtual e, voilà, tenho um conteúdo. A vida tem dessas. O desafio é escrever a mesma coisa 300 vezes e de formas diferentes.

Se pararmos para pensar que por trás de cada usuário de internet há uma história, encontramos mais inspiração na hora de gerar identificação. A mensagem que gera o fenômeno está por trás do seu texto.

A técnica “XY Story Formula”, descrita por Alex Blumberg (e muito bem explicada por Jessica Abel neste artigo), faz com que você reafirme a sua história em duas frases:

Estou escrevendo sobre X.
E isso é muito importante porque Y.

O X explicita a história em si e, o Y, aquilo que está por trás dela e que vai fazer toda a diferença para o seu público. Seria o elemento surpresa ou, quem sabe, aquilo que o leitor/espectador vai descobrir depois da experiência.

O conceito fica claro quando conversamos sobre storytelling ou narrativas, mas utilizo a mesma lógica quando preciso destravar a minha produção de conteúdo. Por exemplo, nos momentos em que não há informações suficientes sobre um produto, ou tudo me parece impessoal.

Vamos supor que quero fazer um post para promover a venda de um aspirador de pó, de última geração, cinza, perfeito para combinar com um apartamento em estilo escandinavo (exagerei, perdão!).

Ok, eu tenho um X.

Paro um pouco nesse momento para pensar em pelo menos três histórias e problemas que pessoas podem ter e que as levem a comprar esse aspirador. Se ele tiver uma função especial que facilite o seu uso para pessoas para rinite, exploro um pouco essa história. Poderia encontrar o Y em uma narrativa sobre saúde e alergias, e então trabalhar um pouco sobre essa ideia para desenvolver o copy.

Prometo que não leva muito tempo para fazer isso. Funciona quase como um micro-brainstorming e ajuda a personalizar a escrita. Se você tiver personas bem definidas, fica mais fácil ainda. É só pensar nelas de verdade, abrir o Word e tirar 5 minutos de escrita antes de cair de cara no post, com os horizontes mais abertos para melhorar a sua produção de conteúdo.

2. Não conte, mostre.

Essa é uma das dicas que mais leio em artigos sobre storytelling, ou sobre literatura. Você deve ter lido várias vezes, se trabalha na área, mas sempre acho bom pontuar.

Mostrar em vez de contar requer usar o cérebro de um jeito mais manual (neurocientistas, por favor, expliquem!) e fazer um exercício de imaginação.

produção de conteúdo

Acrescento aqui porque o exercício pode ser realizado quando desenvolvemos as diferentes maneiras em que o Y, abordado no tópico anterior, pode aparecer no texto.

Você vai acionar diferentes referências e repertórios. Trazer sentimentos universais a universos particulares, situações da vida real, a variedade de possibilidades é enorme.

Mais uma vez, pode ser desafiador fazer uso do recurso de maneira efetiva quando precisamos que um potencial consumidor saiba o que quer. Por isso, requer conhecimento da sua persona e também muta prática para escrever de forma clara e interessante na produção de conteúdo.

Você vai perceber que esse lance de “mostrar, não contar” aparece na forma de problemas – também chamados de “dores” – na produção de conteúdo. Em vez de descrever o produto, apresentamos problemas e soluções. Tem um trecho de um artigo de Murillo Leal (produtor de conteúdo) que sintetiza muito bem essa ideia:

Se você não fazê-lo identificar-se com esse problema, não terá o engajamento dele nunca. Alinhe seu conteúdo com os desafios dele, mas nunca de maneira artificial, seja capaz de gerar valor para ele ao invés de ficar se gabando.

Marcas também são falíveis e cada vez mais carregadas de atributos humanos. Lembra deste exemplo da Netflix que viralizou?

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Há alguns anos, não conseguiríamos imaginar uma marca se posicionando como uma “menina”. As possibilidades só se expandem, e enquanto criadores de conteúdo podemos entrar mais no personagem. Mostrar mais personalidade e mais história, não só contar por que somos tão bons e por que o coitado do potencial consumidor precisa de nós.

3. Crie seu modelo de macro-história

Apresentação, conflito, clímax e conclusão. Desde o ensino fundamental, aprendemos que assim se estruturam as histórias.

A estrutura é tão simples que podemos manipulá-la de diferentes formas para organizar as ideias. Diferentes storytellers experimentam suas linguagens narrativas dentro dela.

conteúdo
5MadMovieMakers on Reddit.

Você não precisa colocar a sua persona em cima de uma árvore como Billy Wilder, no entanto, ter controle sobre como o leitor passeará pelo seu texto ajuda a não perder os detalhes importantes. Considere os “pontos de virada” do seu texto, de uma etapa à outra na estrutura, para desenhar os tópicos e, enfim, escrever com clareza na sua produção de conteúdo.

Outro uso da macro-história é a sua inserção na jornada do consumidor, através dos conteúdos. Na hora de montar o funil, vale a pena pensar quando o seu produto está sendo apresentado, quando o potencial consumidor entra em conflito e chega no clímax que o leva a adquiri-lo (ou não). Podemos também emprestar algumas técnicas criativas para incrementar o planejamento das ações.

Escrever pode até ser talento. Às vezes, pode até parecer que o texto flui. Entretanto, deve ser lapidado e construído – não há texto que surja do nada. Enquanto profissionais, se desejamos ter resultados, precisamos ter consciência dos esforços utilizados, não se engane.

4. De célula em célula se forma o corpo.

Teclamos e teclamos para chegar no texto. Apagamos. Escrevemos um pouco mais, nos bloqueamos, sofremos, desbloqueamos, continuamos o ciclo.

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Gosto de pensar em cada palavra ou frase como uma célula. Cada uma tem o seu propósito e intenção no texto. A ideia não é fazer faltar ou sobrar, mas chegar na medida certa.

O método das células de ação nos ajuda a compor a microestrutura da nossa produção de conteúdo. Já encontrei várias técnicas parecidas com essa em cursos, utilizando diversas nomenclaturas diferentes que no fim queriam dizer a mesma coisa. Vou explicar como a sintetizei depois de utilizá-la nos últimos anos.

A ideia consiste em começar pela informação principal, em seguida dar seus detalhes curiosos e fechar com uma frase que transmite a mensagem proposta.

É como quando lemos uma notícia:

Emenda X é aprovada no Congresso

A Emenda X foi aprovada ontem no Congresso – informação principal. Ela dispõe acerca de tal assunto, com tais detalhes que prejudicam a viabilização de tal processo, de acordo com a autoridade entrevistada – detalhes curiosos. Tais são as consequências – a mensagem que fica, ou o que interessa na vida de quem lê.

Ou quando lemos uma narrativa:

Pior hora para mudar de casa – informação principal. É maior que a antiga: suas janelas frondosas abrem espaço para uma rua arborizada, com jacarandás enfileirados um após o outro como se em um arco infinito. Ruas largas e tranquilas para as crianças jogarem bola em dias de sol, como este em que só de senti-lo à beira do vidro sinto vontade de dar um passeio – detalhes curiosos. Mas é quarentena, não há moleque nem animação na rua. Apenas a folha do jacarandá contra a brisa – mensagem proposta, ou punchline.

Cuidado para não transformar essa dica em uma fórmula pronta. Considero útil quando escrevo textos de blog, ajuda a organizar as ideias e a “limpar” os excessos. Mas se eu só escrevesse assim, os textos seriam parecidos demais.

Por isso, precisamos testar e aprimorar para encontrar o que é melhor para a gente. Cada vez que trazemos a técnica para a rotina e nos debruçamos nela, somos capazes de transformá-las e construir novos conhecimentos.

Caso eu criasse mais uma dica para o texto, seria esta: aprenda a experimentar. No confronto entre o que já sabemos e o território do desconhecido, exploramos a inovação.

A troca de conhecimentos é valiosa, então adoraria conhecer as técnicas que vocês utilizam. Sintam-se à vontade para entrar em contato e conversamos um pouquinho.

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